Após o diagnóstico de endometriose o médico solicitou que eu marcasse a cirurgia o mais rápido possível. Em 15 dias já estava tudo pronto! Na véspera fiquei ansiosa, com medo... Fazer cirurgia dá medo né? Não sabíamos como seria , se haveria muitas lesões , enfim era um pouco assustador. Só me lembro da anestesita falar que eu iria ficar um pouco sonolenta e quando acordei já haviam realizado o procedimento. Estava com medo de sentir dor, de sentir enjoo , mas não senti nada!
Quando o médico foi ao meu quarto me disse que não sabia como eu estava aguentando, que havia muitas lesões em volta dos ovários, do útero, das trompas e do intestino. Mas ele disse que havia removido todas as lesões e os órgãos ficaram preservados. Ele também me perguntou :"Estava menstruada né?" . Eu disse que sim. Então ele me falou que eu sangrava pra dentro e que havia drenado mais de um litro de sangue do meu abdomem.
Levei um susto! Agora tudo fazia sentido! Todas as dores, tudo que eu sentia... O médico me receitou primolut e passou encaminhamento para pegar uma injeção no SUS. Dei entrada no processo e não me preocupei nem em olhar o nome do remédio. Demorou cerca de dois meses para que eu conseguisse o medicamento, uma burocracia terrível, mas no final deu certo.
Quando consegui a injeção procurei uma farmácia para aplicar, mas não tive sucesso. Uma farmacêutica me falou que só o médico poderia aplicar. Corri para o consultório e pedi que ele aplicasse, a secretária conversou com ele e me pediu para esperar que ele aplicaria. Chegando no consultório ele me falou que havia feito certo, que essa injeção não pode ser aplicada de qualquer forma. Deitei na maca e quando vi a agulha me desperei!!! Olha que não tenho medo de agulha! Era enorme!
O médico me pediu pra relaxar, fechei o olho e senti a picada na barriga ... E QUE PICADA! Realmente doeu, mas era para o tratamento, estava feliz! Perguntei se sentiria alguima reação... Então o Dr. explicou que o medicamento provocaria uma menopausa química, que eu sentiria todos os sintomas da menopausa, calores, dor de cabeça, queda de libido, etc. Confesso que fiquei preocupada. Fui pra casa e começei a pesquisar sobre a injeção, a cada relato eu ficava mais e mais assustada. Pedi para Deus para não sentir aqueles sintomas, mas não foi o que aconteceu.
No dia seguinte acordei com muita dor de cabeça e muitas nauseas. Fiquei dois dias sem comer, vomitava sem parar. Depois de dois dias pensei que os sintomas haviam sumido! Doce, aliás amarga ilusão. Em uma semana eles reapareceram... Muito mais intensos. Sentia dor de cabeça, náuseas, dor de estômago, insônia, dor nos ossos,os calorões insuportáveis e uma vontade eterna de chorar.
Liguei para o meu médico e para minha infelicidade ele disse que era assim mesmo, que eu precisava me acostumar, que seria assim. Passou alguns remédios para amenizar os sintomas, mas não tive muito sucesso. Minha gastrite atacou, estava desanimada, descrente. Por que tanto sofrimeto? Por quê?
Procurei um endocrinolista, estava desesperada! Queria alguma coisa que aliviasse o que eu estava sentindo. O endócrino me receitou um medicamento que melhoraria. Realmente ajudou um pouco, os sintomas físicos estavam mais amenos, nas os psicológicos estavam cada vez pior.
Não podia pensar em retornar ao trabalho, tomei a injeção durante as férias, depois meu ginecologista me deu uma licença médica. Quando a licença estava próxima a acabar e eu sabia que não conseguiria voltar para a sala de aula (ainda não havia citado, mas sou professora) procurei então ajuda psicológica.
Fui ao psiquiatra. Senti que precisava de ajuda, estava muito difícil carregar o fardo, parecia que tudo o que eu estava passando nesses anos tinha vindo a tona. Durante a consulta me derramava em lágrimas, o médico me acalmou, disse que qualquer pessoa no meu lugar estaria deprimida. Conversar sobre os problemas me fez bem... Agora estou tomando um medicamento para melhorar a insônia e a depressão. Estou melhorando gradativamente, sei que é um passo de cada vez, tenho que ter força e focar nos aspectos positivos do tratamento. Quantas pessoas não tem acesso aos medicamentos?Quantas mulheres demoram anos para serem diagnosticadas? Quantas são julgadas por seus companheiros? Ainda bem que tenho contado com o respaldo no meu esposo que tem sido companheiro e paciente. Em outubro tomarei a segunda dose da injeção, agora só posso torcer para que os sintomas sejam menores ou que eu esteja mais forte. FORÇA!! Afinal a vida segue!!



